Todas as pessoas possuem determinada capacidade e limite para lidar com os eventos estressantes da vida. Quando acontecem eventos que são maiores do que a capacidade dessa pessoa lidar, surge o que chamamos de trauma. Cada pessoa tem um limite diferente das outras.  O que pode gerar um trauma em uma pessoa pode não gerar em outra e vice e versa.  O fato ser vítima de um evento estressante que acontece de repente do nada também pode ser um fator de agravamento de um trauma.

A maioria das pessoas considera que trauma é algo gerado por situações onde a vida da pessoa está ameaçada como num acidente de carro, um assalto,  violência sexual, morte de alguém querido, crises de pânico e ansiedade  e outros. Isso  é verdade, entretanto, por incrível que pareça os maiores traumas são gerados por pessoas que amamos. Essas pessoas podem ser nossos pais, nossos maridos e esposas, nossos amigos e parentes. Na realidade isso acontece por que ninguém espera ser traído ou maltratado por alguém que ama e espera receber amor.  Uma  outra característica desses traumas é que ao contrário de um trauma único como um acidente de carro, normalmente eles acontecem diversas vezes. Temos aí um trauma de desenvolvimento ou uma situação politraumática.

Uma característica comum de qualquer trauma é o efeito “looping” que esse evento faz nas nossas vidas. Quando temos algum trauma, reagimos a situações do presente como se ainda estivéssemos no perigo daquela situação do passado. Ou seja,  nosso cérebro fica congelado na situação traumática e não permite que sigamos nossa vida em frente sem essa reação disfuncional no presente. Gastamos energia, perdemos oportunidades e às vezes vemos o tempo passar vivendo uma certa imobilidade. É como se ainda estivéssemos repetindo a situação traumática. E para parte do nosso cérebro límbico que gerencia as emoções é isso mesmo. E com certeza não será nenhum argumento racional que irá curar o seu trauma como: “não precisa ter medo, pois nada vai acontecer. Você está seguro.”  Essa parte emocional do cérebro não será transformada apenas com argumentos racionais. E com certeza no fim é ela quem manda em você e dispara os sintomas físicos.

Para processar um evento mais estressante do que podemos suportar, o cérebro parte a informação em pedaços de modo que consiga lidar com essa situação. Trata-se de um fantástico mecanismo de defesa. O fato é que essas memórias traumáticas ficam desintegradas no cérebro e necessitam ser reprocessadas. O trauma se repetirá no presente até que o organismo arranje um meio ou seja estimulado ao equilíbrio novamente. Muitas vezes isso não vai acontecer sozinho e alguém pode repetir esse trauma por anos e mais anos. É como uma pessoa que sofreu um acidente de carro há anos e ainda hoje toda vez que chega num posto de gasolina entra em pânico ao sentir o cheiro de combustível. Um trauma necessariamente não aparece no momento exato do evento traumático, pode levar meses ou anos a se manifestar, o que de certa forma nos deixa mais confusos, pois de repente nos pegamos reagindo e sentindo sensações no corpo que não entendemos e não sabemos de onde vieram. Essas sensações podem ser ataques de ansiedade, insônia, dores diversas, tremores,  problemas gastrointestinais, problemas de coluna, pânico, fobias e outros.

Existem diversos motivos pelo qual alguns traumas não são curados. Relacionei abaixo 10 motivos para que você possa se informar e curar o seu:

1)      Insistir em não falar nunca mais sobre o evento traumático para esquecê-lo de vez e evitar sofrimento. Isso somente agravará o trauma e seus sintomas.

2)      Algumas pessoas incentivadas pela mídia e laboratórios farmacêuticos acreditam que tomando remédios que podem ser antidepressivos ou calmantes irão processar seus traumas.  Em alguns casos graves os remédios podem ajudar a estabilizar os sintomas da pessoa, mas basicamente irão funcionar como “antitérmicos”. Como um remédio para baixar a febre. Não resolvem a causa do trauma ou modificam o comportamento que vem gerando ansiedade. Quando a única estratégia utilizada pela pessoa é essa, ela tende a engrossar a estatística de mais uma pessoa dependente química de remédios psiquiátricos. Os consultórios e as corporações estão cheios delas.

3)      Determinadas abordagens da psicologia irão ajudar a confortar a pessoa,  mas não irão resolver de forma eficaz e objetiva os seus traumas. Procure um profissional que tenha referências e que já tenha tratado outras pessoas conhecidas com sucesso.

4)      Achar que irá aparecer uma solução mágica, seja essa algum tipo de terapia ou remédio que irá curar o problema que você tem há anos em uma sessão ou dose. A cura é um processo e necessita de tempo e esforço pessoal.

5)      Em alguns casos os antidepressivos podem ter o efeito inverso, piorar o estado da pessoa ou não fazer nenhum efeito.  Pouco é falado e esclarecido a esse respeito. Pessoas hipertensas ou muito sensíveis a remédios devem ter um cuidado especial com esses efeitos.  Esses efeitos variam de ansiedade, pânico, pressão alta,  até ideação suicida. A bula desses remédios traz isso de forma clara. Já acompanhei dezenas pessoas no consultório com todos esses efeitos colaterais.

6)      Achar que após anos o trauma irá se curar sozinho. Em alguns casos isso é possível, mas se anos já se passaram e até agora nada, a tendência é que cada vez mais a situação piore, você acumule “sub-traumas” e o tratamento fique mais difícil, longo e caro.

7)      Se você já está fazendo a mesma coisa há bastante tempo e continua mal, mude. Seja o remédio, o terapeuta ou o médico. Definitivamente algo não está funcionando. E se continuar fazendo a mesma coisa sempre, continuará sem melhorar. Se mudar e não funcionar, mude de novo.

8)      Não acredite na tão divulgada hipótese de que o seu quadro é genético ou de que você tem um desequilíbrio químico no cérebro. A genética pode influenciar,  mas não determinar.  E da mesma forma que um desequilíbrio químico poderia ser modificado por remédios, está mais do que provado cientificamente através de diversos estudos que também pode ser alterado por psicoterapia, esportes, meditação e outros. Busque ajuda especializada. Acredite que você pode melhorar. A hipótese do desequilíbrio químico só é boa para os laboratórios farmacêuticos.

9)      Algumas pessoas colocam a responsabilidade da melhora totalmente nos médicos ou nos psicólogos. Faça a sua parte, procure se desenvolver como pessoa, praticar exercícios físicos, cultivar boas amizades, buscar ajuda espiritual, medicina complementar como acupuntura, shiatsu, yoga, artes marciais e coisas que lhe tragam bem estar.

10)    Nunca desista! Acredite sempre que nunca é tarde para se tratar!

 

Eduardo Drummond – Psicólogo Clínico e Coach – CRP 05/35489 – www.azulpsicologia.com.br

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